Portuguese poem
Mundo Interior
Ouço que a natureza é uma lauda eterna De pompa, de fulgor, de movimento e lida, Uma escala de luz, uma escala de vida De sol á infima luzerna.
Ouço que a natureza,--a natureza externa,-- Tem o olhar que namora, e o gesto que intimida Feiticeira que ceva uma hydra de Lerna Entre as flôres da bella Armida.
E comtudo, se fecho os olhos, e mergulho Dentro em mim, vejo á luz de outro sol, outro abysmo Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,
Róla a vida immortal e o eterno cataclismo, E, como o outro, guarda em seu ambito enorme, Um segredo que attrae, que desafia--e dorme.