Portuguese poem
Musa Dos Olhos Verdes
Musa dos olhos verdes, musa alada, Ó divina esperança, Consolo do ancião no extremo alento, E sonho da criança;
Tu que junto do berço o infante cinges C'os fulgidos cabellos; Tu que transformas em dourados sonhos Sombrios pesadelos;
Tu que fazes pulsar o seio ás virgens; Tu que ás mães carinhosas Enches o brando, tepido regaço Com delicadas rosas;
Casta filha do céu, virgem formosa Do eterno devaneio, Sê minha amante, os beijos meus recebe, Acolhe-me em teu seio!
Já cançada de encher languidas flôres Com as lagrimas frias, A noite vê surgir do oriente a aurora Dourando as serranias.
Azas batendo á luz que as trevas rompe, Piam nocturnas aves, E a floresta interrompe alegremente Os seus silencios graves.
Dentro de mim, a noite escura e fria Melancolica chora; Rompe estas sombras que o meu ser povoam; Musa, sê tu a aurora!