Portuguese poem
Minha Mãe
Quem foi que o berço me embalou da infância Entre as doçuras que do empíreo vêm? E nos beijos de célica fragrância Velou meu puro sono? Minha mãe! Se devo ter no peito uma lembrança É dela que os meus sonhos de criança
Dourou: — é minha mãe!
Quem foi que no entoar canções mimosas Cheia de um terno amor — anjo do bem Minha fronte infantil — encheu de rosas De mimosos sorrisos? — Minha mãe! Se dentro do meu peito macilento O fogo da saudade me arde lento
É dela: minha mãe.
Qual anjo que as mãos me uniu outrora E as rezas me ensinou que da alma vêm? E a imagem me mostrou que o mundo adora, E ensinou a adorá-la? — Minha mãe! Não devemos nós crer num puro riso Desse anjo gentil do paraíso
Que chama-se uma mãe?
Por ela rezarei eternamente Que ela reza por mim no céu também; Nas santas rezas do meu peito ardente Repetirei um nome: — minha mãe! Se devem louros ter meus cantos d’alma Oh! do porvir eu trocaria a palma Para ter minha mãe!