Portuguese poem
Magalhães de Azeredo: Procelárias
Não me disseste: Vai! disseste: Eu vou contigo!
Tu é tudo o que bom e nobre em mim existe,
Duas vezes teu filho e tua criatura! Eis por que me confesso, enternecidamente,
Ah! como fora doce Morrer nesse delírio vago e terno, Em teu seio morrer, — morrer num trono; E ter teus beijos, como sonho eterno Do meu eterno sonho... E até esta outra, com que a ode termina: Deixa-me absorto, a sós contigo, a sós! Lá fora, longe, tumultua o mundo, Em baldas lutas... Tumultue embora! Que vale o mundo agora? O mundo somos nós!
E eu leio sobre a sua humilde lousa: Graça, beleza, juventude .... e Nada!
Ando de mágoas tais entristecido. Por mais que as minhas rebeldias dome ... Tanta angústia me abate e me consome, ue do meu próprio senso ora duvido. Tudo por causa deste amor perdido, Que a ti só, para sempre, escravizou-me; Tudo porque aprendi teu caro nome, Porque o gravei no peito dolorido. Vês que eu sou, dizes bem, uma criança, E já de tédio envelhecer me sinto, E a mesma luz do sol meus olhos cansa; Pois, como absorve um lenho o mar faminto, Um corpo a tumba, a morte uma esperança, Tal teu ser absorveu meu ser extinto.