Portuguese poem
Magalhães de Azeredo: Horas Sagradas e Versos
E exclamar como Fausto em êxtase exclamara: Átomo fugitivo, és belo, és belo, pára!
Por largo tempo, neste ermo oculto Guardei-vos. Ide para o tumulto Das gentes. Quer-vos a sorte ali. Colhereis louros? Mas ah! que louros Os vossos gozos, que eu conheci?
Através do Gentil e do Sublime.
Quem, depois de sofrer o ódio profundo Da pátria, viu o inferno, e chorou tanto, Já não é criatura deste mundo
Lá na Torre do Galo, esguia e muda, Entre árvores vetustas escondida, No entardecer da trabalhada vida O potente ancião medita e estuda. Já nos olhos extinta é a luz aguda, Que os céus sondava em incessante lida: Mas inda a fronte curva e encanecida Pensamentos intrépidos escuda. Sorrindo agora das neqüícias feras, Que, por amor do ideal sofrido tinha, Ele a sentença das vindouras eras Invoca, e os seus triunfos adivinha, Ouvindo, entre a harmonia das esferas O compasso da Terra, que caminha.
Os séculos em bruma lenta e escura Te ocultam, vaga imagem feminina: E cada ano, ao passar, tredo elimina Mais uni resto de tua formosura. Apenas, no esbatido da pintura, Algum tom claro, alguma linha fina, Revelando-te a graça feminina, Dizem que foste, ó frágil criatura ... Ah! como és! - és mais bela do que outrora. Seduz-me esse ar distante, esse indeciso Crepúsculo em que vives, me enamora. O tempo um gozo intensamente doce Pôs-te no exangue, pálido sorriso; E o teu humano olhar divinizou-se ...
Sopra o terral. A noite é calma. Faz luar Intercadente Soa na praia molemente A voz do mar. As coisas dormem; dorme a terra, e no ar sereno Nenhum ruído Perturba o encanto recolhido Do luar pleno. Ampla mudez. A lua grande pelo céu Sem nuvens vaga E cobre o mar, vaga por vaga, De um branco véu. Longe, à mercê da branda aragem, vai passando' Parda falua. Nas pandas velas bate a lua De quando em quando...