Versos Portuguese Machado de Assis Monte Alverne

Portuguese poem

Monte Alverne

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Morreu! — Assim baquêa a esta lua erguida No alto do pedestal; Assim o cedro das florestas virgens Cahe pelo embate do corsel dos ventos Na hora do temporal.

Morreu! — Fechou-se o portico sublime De um paço secular; Da mocidade a romaria augusta Amanhã ante as pallidas ruinas Ha de vir meditar!

Tinha na fronte de propheta ungido A inspiração do céu. Pela escada do púlpito moderno Subio outrora festival mancebo E Bossuet desceu!

Ah! que perdeste n'um só homem, claustro! Era uma augusta voz; Quando essa boca divinal se abria, Mais viva a crença dissipava n'alma Uma duvida atroz!

Era tempo? — a argila se alquebrava N'um áspero crysol; Corrido o véu pelos cançados olhos Nem via o sol que lhe contava os dias, Elle — fecundo sol!

A doença o prendia ao leito infausto Da derradeira dor; A terra reclamava o que era terra, E o gelo dos invernos coroava A fronte do orador.

Mas lá dentro o espirito fervente Era como um fanal; Não, não dormia nesse regio craneo A alma gentil do Cicero dos pulpitos, — Cuidadosa Vestal!

Era tempo! — O romeiro do deserto Pára um dia tambem; E ante a cidade que almejou por annos Desdobra ura riso nos doridos labios, Descança e passa além!

Cahiste! — Mas foi só a argila, o vaso, Que o tempo derrubou; Não todo á eça foi teu vulto olympico; Como deixa o cometa uma aurea cauda, A lembrança ficou!

O que hoje resta era a terrena purpura Daquelle genio-rei; A alma voou ao seio do infinito, Voltou á patria das divinas glorias O apostolo da lei.

Patria, curva o joelho ante esses restos Do orador immortal! Por esses labios não fallava um homem, Era uma geração, um seculo inteiro, Grande, monumental!

Morreu! — Assim baquêa a estatua erguida No alto do pedestal; Assim o cedro das florestas virgens Cahe pelo embate do corsel dos ventos Na hora do temporal!