Portuguese poem
Stella
Já raro e mais escasso A noite arrasta o manto, E verte o ultimo pranto Por todo o vasto espaço.
Tibio clarão já córa A téla do horizonte, E já de sobre o monte Vem debruçar-se a aurora.
Á muda e torva irmã, Dormida de cansaço, Lá vem tomar o espaço A virgem da manhã.
Uma por uma, vão As pallidas estrellas, E vão, e vão com ellas Teus sonhos, coração.
Mas tu, que o devaneio Inspiras do poeta, Não vês que a vaga inquieta Abre-te o humido seio?
Vai. Radioso e ardente, Em breve o astro do dia, Rompendo a nevoa fria, Virá do roxo oriente.
Dos intimos sonhares Que a noite protegera, De tanto que eu vertera, Em lagrimas a pares,
Do amor silencioso, Mystico, doce, puro, Dos sonhos de futuro, Da paz, do ethereo gozo,
De tudo nos desperta Luz de importuno dia; Do amor que tanto a enchia Minha alma está deserta.
A virgem da manhã Já todo o céu domina.... Espero-te, divina, Espero-te, amanhã.