Versos Portuguese Manuel Botelho de Oliveira Lacre atrevido a ũa mão de Anarda

Portuguese poem

Lacre atrevido a ũa mão de Anarda

by (1636–1711)

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Quando a tanta neve pura Liquida-se ardor luzente Solicita o centro ardente Nessa ardente fermosura; Oh como nele se apura, Para que explique meu rogo De meu pranto o desafogo! Pois quando o lacre se adverte, Lágrimas de fogo verte, Verto lágrimas de fogo.

II Porém com vário rigor Essa chama lagrimosa, Ardendo na mão formosa, Queima da neve o candor: Mas em teu peito, que Amor Nunca o transforma, sujeito, Logra meu pranto outro efeito; Pois quando padeço tanto, Estilo o fogo do pranto, Não queimo a neve do peito.