Versos Portuguese Manuel de Oliveira Paiva III (Sois jardim de graça)

Portuguese poem

III (Sois jardim de graça)

by (1861–1892)

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Sois jardim de graça, Virgem gloriosa, Sois do Paraíso A mais linda rosa.

Todo branco quer ser rico, Todo mulato é pimpão, Todo cabra é feiticeiro, Todo caboclo é ladrão. Viva Seá Dona Guidinha, Senhora deste sertão.

O fogo nasce da lenha, A lenha nasce do chão; O amor nasce dos olhos, O afeto do coração; A ira vem de repente, Mais a raiva vem do Cão; A amizade vem da estima, Do fervor a gratidão; O home dá valimento, Mas só Deus dá salvação... Menina, dá-me teus braços, Que eu te dou meu coração! Todo letrado é ladino, Todo frade é mandrião... Viva Senhor Secundino, Pessoa de estimação!

Cada vez que boto os olhos Para a banda onde morais, Suspiros rompem do peito, Sodades cada vez mais!

Se você vié de basto, Eu entro de sota e ais: Tando cas carta na mão, Nem mesmo o cão farrabrais Me bota terra nos óios, Veiacada ele non fais!

Do Recife é que eu venho, Terra bem longe estais, E me chamo Secundino, Sou galante, sou rapais, Sou rico e sou estimado, No amô sou famanais! Viva Seá Dona Guidinha, Que tudo que eu quero fais!

Que tudo que ele quer fais, Pois é home de valia; São chita da mesma peça O sobrinho cumo a tia!

No tempo im que eu te amava, Deus do céu me aparecia, Não ia pra terra longe, Na cegueira im que vivia Oh! meu Deus, naquele mundo Como triste ficaria O coração da donzela Que só por ele batia! E viva Seu Secundino Com toda sua famia...

Com toda sua famia No reino do céu se veja: Quando a hora for chegada, Nossa Senhora o proteja.

Vosmicê me chama feia, Eu não sou da tua caste; Mais vale uma firme feia Que uma bonita farsa! Não quero home de saia, Não quero mulhé de cauça: Venha cá, Seu Secundino, Meta logo a mão na massa! Vou-m'imbora, vou-m'imbora, Prô sertão do Pioí, Vou buscar Fulores Bela Pra casá cum Bugari. Venha cá, Seu Secundino, Dance no samba daqui, Que estes caboco são pobe, Mas têm honra consigo. Mas têm honra consigo, E toitiço no cupim, Só não são da cor de leite E nem da cor de alfenim: Quando dizem: Não! tá dito, Não trocam, não, pelo Sim, Nem mesmo cabra chamurro, Nem mesmo caboco ruim. E viva o Seu Secundino, Que tem boca de rubim E tá dançando na roda... Faz gosto dançar assim!

Dez vez dez - eu tenho dito, In vinte - de ti falá, In trinta - t'espero intão, In quarenta - te lográ. Uma vez um - tou falando, Duas vez dois - tou dizendo, Três vez três - tou assentando, Quatro vez quatro - sabendo, Cinco vez cinco - entendendo, Seis vez seis - me certifico, Sete vez sete - bonito! Oito vez oito - zombando, Nove vez nove - notando, Dez vez dez - eu tenho dito.

In onze - fiquei cativo, In doze - do teu amô, In treze - por teu rigô, In quatorze - ressintido, In quinze - fiquei perdido, In dezesseis - no lugá, In dezessete - a cuidá In dezoito - que te tinha In dizanove - vidinha!

In vinte - pra ti falá. In vinte e um - amor senti, In vinte e dois - não me falta, In vinte e três - dei por ti In vinte e quatro - um intento In vinte e cinco - sustento, In vinte e seis - coração, In vinte e sete - a questão In vinte e oito - do amô, In vinte e nove - sem dô, In trinta - t'espero antão.

In trinta e um - considero In trinta e dois - qu'é de sê, In trinta e três - fiz sabê In trinta e quatro - te quero, In trinta e cinco - t'espero, In trinta e seis - expilico, In trinta e sete - vou dá In trinta e oito - a firmeza, In trinta e nove - é nobreza In quarenta - te lográ.

Isto não é saborá, É méu já purificado, Por Seá Guidinha mandado Mode os cantadô cantá.

Mode os cantadô cantá, Na minha terra isto é vinho, Banha nunca foi toicinho, Isto não é saborá.

Inhame não é croá, Isto não é méu de abeia, Mas é de uva vermeia Do Reino de Portugá, Mode os cantadô cantá... Só falta é pão para a ceia!

Ora, sou muito obrigado; Seá Cumade Carolina Leve os agardecimento À Seá Dona Guidinha.

À Seá Dona Guidinha, Rainha deste lugá, Prenda do meu coração, Sinhora do Ciará, Que quanto mais dé do seu Mais Deus lhe dê para dá.