Portuguese poem
IX (Como um trapo esfrangalhado)
by Manuel de Oliveira Paiva (1861–1892)
Como um trapo esfrangalhado Pelos corvos disputado, De cavalo, ou de outro gado, Andava o podre Chiquinho; Os urubus da doença Lutavam sem mais detença Para nem lhe dar licença
De chorar seu dinheirinho. Tinha rijas convulsões, Recordando as intenções, Transformadas em baldões De provocar adultério.
Quando a João encontrava Todo lívido ficava: Parecia já se achava Sob o chão do cemitério.
No festim do casamento, Cheio de contentamento, Parecia um cão nojento, Leproso e curvo das pernas. Pouco a pouco foi sentindo Esse abatimento infindo Que o nobrezismo já findo Das cousas sofre modernas.
Mas seu olhar senhoril Bem mostrava do Brasil O negreirismo senil Diante da evolução.
Naquela festa de moços Tão novos quanto colossos, Era como uns magros ossos Nu'a mesa de glutão.
Em presença de Izabel Rugia como Lusbel Calcado por São Miguel. Diante do belo par Tão sublime e tão bonito, Tinha a força de um palito Rojado contra o granito, Que os seios rompe do ar.
Agora, amigo Leitor, Se acaso me tens amor, Peço vejas por favor, Se de tempo não estás falto. Aquele pífio soneto Que acima neste livreto, De cinco silabas feito, Acabo rimando em — ALTO.