Portuguese poem
Conheço de teus males a vehemencia
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Conheço de teus males a vehemencia, Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido, Quando da mesma edade que hoje contas Próvida a Natureza começava A preencher em mim seus fins sagrados. Marcha ella por graus em suas obras; Procede ao fructo a flôr já matizada, Que fôra antes de flôr botão mimoso. Assim a sabia mão da Natureza, A passos insensiveis caminhando Maravilhas em nós produz, que assombram. Somos na infancia apenas um bosquejo
Do que nos cumpre ser annos mais tarde. N′aquella edade a Natureza attenta Em conservar-nos só, não desenvolve Sentimentos, que então superfluos foram: Inactivas nos tem, e nos conserva, Bem como as plantas no gelado inverno. Porém depois que o sol da primavera Fecundos raios sobre nós dardeja, Então de novas fórmas animado Pula nas veias affogueado sangue, E sem perder da infancia os attractivos Da puberdade o lustre desfructamos. Então sentimos commoções insolitas, Que origem são dos males, que te opprimem: Do amor, que te domina, melancholico; Da forte agitação, que em ti presentes. Mas tem tudo remedio; eu hei-de dar-t′o, Feliz serás, se o trilho me seguires.