Portuguese poem
De cerúleo gabão não bem coberto
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
De cerúleo gabão não bem coberto, Passeia em Santarém chuchado moço, Mantido às vezes de sucinto almoço, De ceia casual, jantar incerto;
Dos esburgados peitos quase aberto, Versos impinge por miúdo e grosso. E do que em frase vil chamam caroço, Se o quer, é vox clamantis in deserto.
Pede às moças ternura, e dão-lhe motes! Que tendo um coração como estalage, Vão nele acomodando a mil pexotes.
Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje, Cercado de um tropel de franchinotes? É o autor do soneto: é o Bocage!