Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage I

Portuguese poem

I

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Se, lascivos do mundo, amais sem arte, Lede meus versos, amareis com ella. Tu, louro Apollo, me tempera a lyra, Tu, branda Venus, a cantar me ensina. Quanto nos reinos de Plutão deseja Tantalo ardente mitigar a sêde; Quanto suspira Promethêo, que Jove Os duros ferros, com que o prende, rompa; Tanto deseja a feminina turba Ao corpo varonil unir seu corpo; Tanto suspira por que mão lasciva Meiga lhe toque nas columnas lisas, E que mimoso, petulante dedo Lhe amolgue os tezos seus virgineos peitos. Em Junho ardente pelo seu consorte Clama, suspira em verde ramo a rôla; Em gelado Janeiro clama triste A domestica tigre por marido: Brama nos campos em sereno Maio Mansa novilha por amado touro. Sabia Natura o debil sexo excita, Torpes desejos com ardor provoca: Mas sempre firme, e simulada nega Carnal impulso geração de Pyrrha. Busca Diana Endymião nos bosques, Mas finge ousada perseguir as féras; Ardente Venus só prazer respira, Mas seus favores solicíta Marte; Serrana humilde reclinar deseja Nos doces braços de um Vaqueiro o collo; Mas d'elle foge, na montanha, esquiva, Com elle o baile festival recusa.