Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage I

Portuguese poem

I

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Pavorosa illusão da Eternidade, Terror dos vivos, carcere dos mortos; D'almas vans sonho vão, chamado inferno; Systema da politica oppressora; Freio, que a mão dos despotas, dos bonzos Forjou para a boçal credulidade; Dogma funesto, que o remorso arreigas Nos ternos corações, e a paz lhe arrancas: Dogma funesto, detestavel crença, Que envenenas delicias innocentes, Taes como aquellas que no ceo se fingem: Furias, Cerastes, Dragos, Centimanos, Perpetua escuridão, perpetua chamma, Incompativeis producções do engano, Do sempiterno horror terrivel quadro, (Só terrivel aos olhos da ignorancia) Não, não me assombram tuas negras côres, Dos homens o pincel, e a mão conheço: Trema de ouvir sacrilego ameaço Quem d'um Deus quando quer faz um tyranno: Trema a superstição; lagrimas, preces, Votos, suspiros arquejando espalhe, Coza as faces co'a terra, os peitos fira, Vergonhosa piedade, inutil venia Espere ás plantas de impostor sagrado, Que ora os infernos abre, ora os ferrolha: Que ás leis, que as propensões da natureza Eternas, immutaveis, necessarias, Chama espantosos, voluntarios crimes; Que as ávidas paixões, que em si fomenta, Abhorrece nos mais, nos mais fulmina: Que molesto jejum, roaz cilicio Com despotica voz á carne arbitra, E, nos ares lançando a futil benção, Vae do grantribunal desenfadar-se Em sordido prazer, venaes delicias, Escandalo de Amor, que dá, não vende.