Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage Iv

Portuguese poem

Iv

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Supplemento d'acção faz doce encanto O que antes era objecto de terrores, E convertido n'um final interesse Emprega a bem dos crentes a astucia: Oxalá, doce amada, que no inferno Não padecesse o pensamento angustias Do crime o galardão, merecido premio! Que eu de amor aos fatidicos embustes Me entregára por ti, se o não houvera! Além de contemplar-te deusa bella, Novo altar te formára em minha mente. Mas ah! que a minha lei, se rigorosa Mostra um semblante no ext'rior severo. Seus nobres fins a tornam jugo amante. Concedendo-me em doce ajuste sacro A posse eterna do que pinta a idéa! Em teus dotes mais ricos do que o mundo Tu bem podes gravar pacto solemne, Que é desejado mais quando te esquivas; Porque o pejo innocente foge ao laço Que inculcando te estou, te estou pedindo. Sacra alliança pedem teus direitos Por belleza e traição só extorquidos. Approva ternamente o jus paterno A chamma, quando pura se affoguêa. Então desfructarás da liberdade, Quando maior sentires este jugo

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Quando quer sustentar que amor com guardas Influencias não pode ter propicias, Emmudeça tambem o louco Elmano, Que ignora do seu Deus os sanctos lares, E quer solemnisar a união de almas Dando por testemunhas venerandas As trevas, apezar que nada sejam: Deixado o sacerdote, ampliado o templo, Celebra o matrimonio em toda a terra: Quem faz caso porém de seus transportes? Seu coração ao menos desafogue Em proclamar, mas por que não incita O vedado prazer de horrivel nome. E querendo render nossas vontades Co'as falsas persuasões, que mal recebem, Na religião pretende amortecer-te, Porque possa appetite aviventar-te. Ah! que não se propõe ser teu amante Quem quer na confusão de mil suspiros Tão infeliz fazer-te quanto é elle! Entretanto, Marilia, não te prives D'outras estimações de quem te adora; Na minha lei tu podes ser amada, E amares, se á razão não fores surda. Meu coração de ver-te enfeitiçado Emprega provas mil suas, e minhas, Porque ames, sem deixar de ser ditosa. Deve a religião guiar teu gosto, A lembrança final desterre o crime: Que apezar do vicioso, que pregôa, Existem céos, existe o negro inferno; Laurea-se n'aquelles a virtude, Arderá n'este para sempre o vicio.

Até aqui M.P. Thomaz Pinheiro d'Aragão. Veja-se agora a Refutação anonyma.