Portuguese poem
A Queda
by Mário de Sá-Carneiro (1890–1916)
E eu que sou o rei de toda esta incoerencia, Eu proprio turbilhão, anseio por fixa-la E giro até partir... Mas tudo me resvala Em bruma e sonolencia.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço d'ouro, Volve-se logo falso... ao longe o arremesso... Eu morro de desdem em frente dum tesouro, Morro á mingua, de excesso.
Alteio-me na côr á força de quebranto, Estendo os braços d'alma--e nem um espasmo venço!... Peneiro-me na sombra--em nada me condenso... Agonias de luz eu vibro ainda emtanto.
Não me pude vencer, mas posso-me esmagar, --Vencer ás vezes é o mesmo que tombar-- E como inda sou luz, num grande retrocesso, Em raivas ideais, ascendo até ao fim: Ólho do alto o gelo, ao gelo me arremesso... . . . . . . . . . . . . . . . Tombei... E fico só esmagado sobre mim!...