Portuguese poem
Escavação
by Mário de Sá-Carneiro (1890–1916)
Numa ansia de ter alguma cousa, Divago por mim mesmo a procurar, Desço-me todo, em vão, sem nada achar, E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar: Brando a espada: sou luz harmoniosa E chama genial que tudo ousa Unicamente á força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo... E cinzas, cinzas só, em vez do fogo... --Onde existo que não existo em mim?
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Um cemiterio falso sem ossadas, Noites d'amor sem bôcas esmagadas-- Tudo outro espasmo que principio ou fim...