Portuguese poem
As Estrelas
by Olavo Bilac (1865–1918)
Desenrola-se a sombra no regaço Da morna tarde, no esmaiado anil; Dorme, no ofego do calor febril, A natureza, mole de cansaço.
Vagarosas estrelas! passo a passo, O aprisco desertando, às mil e às mil, Vindes do ignoto seio do redil Num compacto rebanho, e encheis o espaço...
E, enquanto, lentas, sobre a paz terrena, Vos tresmalhais tremulamente a flux, - Uma divina música serena
Desce rolando pela vossa luz: Cuida-se ouvir, ovelhas de ouro! a avena Do invisível pastor que vos conduz...