Portuguese poem
As Árvores
by Olavo Bilac (1865–1918)
Na celagem vermelha, que se banha Da rutilante imolação do dia, As árvores, ao longe, na montanha, Retorcem-se espectrais à ventania.
Árvores negras, que visão estranha Vos aterra? que horror vos arrepia? Que pesadelo os troncos vos assanha, Descabelando a vossa rumaria?
Tendes alma também... Amais o seio Da terra; mas sonhais, como sonhamos, Bracejais, como nós, no mesmo anseio...
Infelizes, no píncaro do monte, (Ah! não ter asas!...) estendeis os ramos À esperança e ao mistério do horizonte.