Versos Portuguese Olavo Bilac Antígona

Portuguese poem

Antígona

by (1865–1918)

Listen in the reader

"Disse-me também o oráculo que morrerei aqui, quando tremer a terra, quando o trovão rolar, quando o espaço brilhar..." (SÓFOCLES - Édipo em Colona.)

A terra treme. Rola o trovão. Brilha o espaço. Chega Édipo a Colona, em andrajos, imundo, Sombra ansiosa a fugir do próprio horror profundo, Ruína humana a cair de miséria e cansaço.

Mas, quando o ancião vacila, órfão da luz do mundo, - Antígona lhe estende o coração e o braço, E, filha e irmã, recolhe ao maternal regaço O rei sem trono, o pai sem honra, moribundo.

É o ninho (a terra treme...) amparando o carvalho, A flor sustendo o tronco! Édipo (o espaço brilha...) Sorri, como um combusto areal bebendo o orvalho.

É o fim (rola o trovão...) da miseranda sorte: O cego vê, fitando o céu do olhar da filha, Na cegueira o esplendor, e a redenção na morte.