Portuguese poem
As Nuvens
by Olavo Bilac (1865–1918)
Nuvem, que me consolas e contristas, Tenho o teu gênio e o teu labor ingrato: Essas arquiteturas imprevistas São como as construções em que me mato...
Nunca vemos, misérrimos artistas, A vitória deste ímpeto insensato: A um sopro benfazejo, que conquistas! A um hálito cruel, que desbarato!
Nuvens de terra e céu, brincos do vento, Vai-se-nos breve a essência no ar varrida... Irmã, que importa? ao menos, num momento,
No fastígio falaz da nossa lida, Tu, nas miragens, e eu, no pensamento, Somos a força e a afirmação da Vida!