Portuguese poem
Assombração
by Olavo Bilac (1865–1918)
Conheço um coração, tapera escura, Casa assombrada, onde andam penitentes Sombras e ecos de amor, e em que perdura A saudade, presença dos ausentes.
Evadidos da paz da sepultura, Num tatalar de tíbias e de dentes, Revivem os fantasmas da ternura, Arrastando sudários e correntes.
Rangem os gonzos no bater das portas, E os corredores enchem-se de prantos... Um mundo de avejões do chão se eleva,
Ressuscitado pelas horas mortas: Frios abraços gemem pelos cantos, Beijos defuntos fogem pela treva.