Portuguese poem
Benedicite!
by Olavo Bilac (1865–1918)
Bendito o que, na terra, o fogo fez, e o tecto; E o que uniu a charrua ao boi paciente e amigo; E o que encontrou a enxada; e o que, do chão abjeto, Fez, aos beijos do sol, o ouro brotar do trigo;
E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo; E o que os fios urdiu; e o que achou o alfabeto; E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo;
E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano; E o que inventou o canto; e o que criou a lira; E o que domou o raio; e o que alçou o aeroplano...
Mas bendito, entre os mais, o que, no dó profundo, Descobriu a Esperança, a divina mentira, Dando ao homem o dom de suportar o mundo!