Versos Portuguese Olavo Bilac Cantilena

Portuguese poem

Cantilena

by (1865–1918)

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Quando as estrelas surgem na tarde, surge a [esperança... Toda alma triste no seu desgosto sonha um Messias: Quem sabe? o acaso, na sorte esquiva, traz: a mudança E enche de mundos as existências que eram vazias!

Quando as estrelas brilham mais vivas, brilha a esperança... Os olhos fulgem; loucas, ensaiam as asas frias: Tantos amores há pela terra, que a mão alcança! E há tantos astros, com outras vidas, para outros dias!

Mas, de asas fracas, baixando os olhos, o sonho cansa; No céu e na alma, cerram-se as brumas, gelam as luzes: Quando as estrelas tremem de frio, treme a esperança...

Tempo, o delírio da mocidade não reproduzes! Dorme o passado: quantas saudades, e quantas cruzes! Quando as estrelas morrem na aurora, morre a esperança...