Portuguese poem
Campo Santo
by Olavo Bilac (1865–1918)
Os anos matam e dizimam tanto Como as inundações e como as pestes. A alma de cada velho é um Campo-Santo Que a velhice cobriu de cruzes e ciprestes Orvalhados de pranto.
Mas as almas não morrem como as flores, Como os homens, os pássaros e as feras: Rotas, despedaçadas pelas dores, Renascem para o sol de novas primaveras E de novos amores.
Assim, às vezes, na amplidão silente, No sono fundo, na terrível calma Do Campo-Santo, ouve-se um grito ardente: É a Saudade! é a Saudade!... E o cemitério da alma Acorda de repente.
Uivam os ventos funerais medonhos. . Brilha o luar... As lápides se agitam. . E, sob a rama dos chorões tristonhos, Sonhos mortos de amor despertam e palpitam, Cadáveres de sonhos...