Versos Portuguese Olavo Bilac Avatara

Portuguese poem

Avatara

by (1865–1918)

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Numa vida anterior, fui um cheik macilento E pobre... Eu galopava, o albornoz solto ao vento, Na soalheira candente; e, herói de vida obscura, Possuía tudo: o espaço, um cavalo, e a bravura.

Entre o deserto hostil e o ingrato firmamento, Sem abrigo, sem paz no coração violento, Eu namorava, em minha altiva desventura, As areias na terra e as estrelas na altura.

Às vezes, triste e só, cheio do meu desgosto, Eu castigava a mão contra o meu próprio rosto, E contra a minha sombra erguia a lança em riste...

Mas o simum do orgulho enfunava o meu peito: E eu galopava, livre, e voava, satisfeito Da força de ser só, da glória de ser triste!