Versos Portuguese Olavo Bilac Beethoven Surdo

Portuguese poem

Beethoven Surdo

by (1865–1918)

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Surdo, na universal indiferença, um dia, Beethoven, levantando um desvairado apelo, Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo... E o seu mundo interior cantava e restrugia.

Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo, Viu, sobre a orquestração que no seu crânio havia, Os astros em torpor na imensidade fria, O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.

Era o nada, a eversão do caos no cataclismo, A síncope do som no páramo profundo, O Silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo...

E Beethoven, no seu supremo desconforto, Velho e podre, caiu, como um deus moribundo, Lançando a maldição sobre o universo morto!