Portuguese poem
A vila
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Lembro-me bem dessa vilota rude, Onde fui, sem gosto e sem saúde, Buscar um poiso para os meus cansaços. Que terra triste! Triste e sertaneja: A escola, a hospedaria, a antiga igreja, E a capelinha do Senhor dos Passos...
Na esquina, em frente à Câmara, o barbeiro, Logo depois, num colossal letreiro, A "Loja Popular" do velho Lopes. E é bem no largo da Matriz que fica A sempiterna, a clássica botica, Com seus reclames de óleos e xaropes...
Ah! Foi aí, nesse ermo de tristeza, Nessa terreola fúnebre e burguesa, Tão sem encantos, tão descolorida, Que eu fui viver, com lágrimas e flores, No mais cruel amor dos meus amores, A página melhor da minha vida!