Portuguese poem
À Guiomar
by Paulo Setúbal (1893–1937)
A prima não adivinha, Não sabe a viva emoção, O gosto, a alegria minha, Ao receber a cartinha Que recebi da sua mão!
Que festa... Aqui, nesta rima, Não cabe o orgulho, o prazer, Com que eu me vi, linda prima, Lembrado na sua estima, Querido no seu querer.
Já nem eu sei quantas vezes A carta li, minha flor... Que termos tão portugueses! E que louvores corteses Aos meus dotes de escritor!
E o fim então, ó tentadora? Lá está, com um fino elogiar, A frase envaidecedora: "Da prima e admiradora, "Guiomar"...
Quê? Pois você me admira? Verdade? Não sei... não sei. Mas olhe que essa mentira Foi para mim, pobre caipira, O louro que eu mais prezei!
E agora, após tudo aquilo, Tudo o que disse você, Proclamo aqui, alto e tranqüilo: — Você parece, no estilo, Madame de Sévigné...
Não julgue, amável priminha, Que seja retribuição... Capaz! É justiça minha. — Justiça à doce cartinha Que recebi da sua mão!