Versos Portuguese Paulo Setúbal A forasteira

Portuguese poem

A forasteira

by (1893–1937)

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Dissera-me o barbeiro da vilota, Que essa elegante, essa gentil devota, Que freqüentava assim as ladainhas, Também quisera, em busca de bons ares, Passar o mês das férias escolares, Na mesma terra onde eu passava as minhas.

E ali, na vila, nessa pobre aldeia, Tão incolor, tão rústica, tão feia, Povoada de caboclos indigentes, A forasteira, com seu ar touriste, Com seu chapéu de plumas, com seu chiste, Chocava o povo e deslumbrava as gentes!

E eu, que vivia a padecer nesse ermo, A definhar-me, torturado e enfermo, Nas nostalgias dessa vila odiosa, Eu bem sentia, ao ver essa estrangeira, Que na minhalma, pela vez primeira, Brotara a flor duma paixão furiosa...