Portuguese poem
Floco de espuma
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Naquele amor todo feito De misterioso capricho, Vivias tu no meu peito, Como uma santa num nicho.
Dessa ventura, no entanto, Só restam fundos espinhos: — Saudades do teu encanto, Lembrança dos teus carinhos...
Só resta um fino ressabio, Só resta um vago lampejo, De que era doce o teu lábio, De que era quente o teu beijo!
Pobre ilusão que se esfuma Na cinza dos desenganos: — Tu foste um floco de espuma No mar azul dos vinte anos...