Portuguese poem
Idílio
by Paulo Setúbal (1893–1937)
"Vamos?" disseste... E eu disse logo: vamos! Ia no céu, nos pássaros, nos ramos, Uma alegria esplêndida e sonora; E tu, abrindo ao sol, como uma tenda, Tua sombrinha de custosa renda, Partimos ambos pela estrada afora...
Eram pastagens largas, eram roças, Carros de bois, currais, barreadas choças, E rústicos galpões de pau-a-pique; Só tu, nessa bucólica simpleza, Com teu tailleur de casemira inglesa, Punhas uns tons de mundanismo chic.
E a poeira, e o sol queimante, e a dura estrada, Nós, papagueando, sem sentirmos nada, Seguíamos num sonho encantador: É que a felicidade, como um vinho, Fazia-nos andar pelo caminho, Tontos de gozo e bêbedos de amor!