Portuguese poem
Meu Benzinho, Diga, Diga
by Sílvio Romero (1851–1914)
— Meu benzinho, diga, diga, Por sua boca confesse Se você nunca já teve Quem tanto bem lhe quisesse. "Se é verdade que não tive Quem tanto bem me quisesse, Também nunca possuí Quem tantos tratos me desse. — Os trabalhos qu'eu te dei, Você mesmo os procurou, Que da casa de meu pai, De lá você me tirou. — Se de lá eu te tirei Foi por me ver perseguido; Quantas e quantas vezes Não me tenho arrependido! "Que te arrependes, amor? Deste teu gênio tão forte? Não prometeste ser firme Até na hora da morte? Até na hora da morte Sentirei ingratidão, Tendo sido eu a dona Roubada deste ladrão!... Nunca comi de ladrão, Nem pretendo comer; Poderei comer agora Debaixo do seu poder. — Debaixo do meu poder Tu terás grande valia; Saindo dele pra fora, Não terás mais fidalguia. "Esta fidalguia minha Nunca há de se acabar; Qu'eu com gente mais somenos Nunca hei de me pegar. — Pega, então, meu amor, Procurando opinião! Que estas meninas de agora Não buscam estimação. "Não procura estimação Só aquela que é pobre; Uma dona, como eu, Só procura gente nobre. — Goza, meu bem, goza a vida, Qu'eu, à noite, vou-te ver, Dando suspiros e ais Pra não te ver padecer.