Versos Portuguese Vicente de Carvalho I (Só a leve esperança, em toda…)

Portuguese poem

I (Só a leve esperança, em toda…)

by (1866–1924)

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Só a leve esperança, em toda a vida, Disfarça a pena de viver, mais nada; Nem é mais a ezistencia, rezumida, Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada, Sonho que a traz ancioza e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos, Arvore milagroza que sonhamos Toda arreada de dourados pomos,

Eziste, sim: mas nós não a alcançamos Porque está sempre apenas onde a pomos E nunca a pomos onde nós estamos.