Portuguese poem
II (Eu cantarei de amor tão fortemente)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Eu cantarei de amor tão fortemente Com tal celeuma e com tamanhos brados Que afinal teus ouvidos, dominados Hão de á força escutar quanto eu sustente.
Quero que meu amor se te aprezente — Não andrajozo e mendigando agrados, Mas tal como é: rizonho e sem cuidados. Muito de altivo, um tanto de insolente.
Nem ele mais a dezejar se atreve Do que merece: eu te amo, e o meu dezejo Apenas cobra um bem que se me deve.
Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo; E vou de olhos enxutos e alma leve Á galharda conquista do teu beijo.