Portuguese poem
III (Enganei-me supondo que, de altiva)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Enganei-me supondo que, de altiva, Desdenhosa, tu vias sem receio Desabrochar de um simples galanteio A agreste flor desta paixão tão viva.
Era segredo teu? Adivinhei-o; Hoje sei tudo: alerta, em defensiva, O coração que eu tento e se me esquiva Treme, treme de susto no teu seio.
Errou quem disse que as paixões são cegas; Vêem... Deixam-se ver... Debalde insistes; Que mais defendes, se tu'alma entregas?
Bem vejo (vejo-o nos teus olhos tristes) Que tu, negando o amor que em vão me negas, Mais a ti mesma do que a mim resistes.