Portuguese poem
III (Nem só o olhar dos olhos…)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Nem só o olhar dos olhos de quem ama Revela o amor que se supõe discreto, E o mais oculto, o mais medroso afeto Ingenuamente à luz do sol proclama.
Também a voz, indiscrição bendita, Trai o amor sob a frase indiferente; E debalde a palavra finge e mente: Na voz que treme o coração palpita.
Desvias dos meus olhos infelizes O teu olhar...Dizes que não...Loucura! Em tua voz que trêmula murmura Ouço tudo que sentes e não dizes.