Portuguese poem
IV (Eu não espero o bem que…)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Eu não espero o bem que mais dezejo: Sou condemnado, e disso convencido; Vossas palavras, com que sou punido, São penas e verdades de sobejo.
O que dizeis é mal muito sabido, Pois nem se esconde nem procura ensejo, E ainda á vista naquilo que mais vejo: Em vosso olhar, severo ou distraído.
Tudo quanto afirmais eu mesmo alego: Ao meu amor desamparado e triste Toda a esperança de alcançar-vos nego.
Digo-lhe quanto sei, mas ele insiste; Conto-lhe o mal que vejo, e ele que é cego Põe-se a sonhar o bem que não eziste.