Portuguese poem
Madrugada pagã
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
A loura deuza das manhãs radiozas, Que inflora o campo e sonoriza os ninhos, Surje espalhando á beira dos caminhos Giestas em flor e petalas de rozas.
Tudo disperta e anceia: ha borborinhos De amor feliz nas moutas misteriozas, Zumbidos de azas, espansões cheirozas Da alma, entreaberta ao sol, dos rosmaninhos..
De entre murteiras planje, murmurante, A voz de Pan, que se escoar parece Em catadupa trémula e sonora;
E, como ouvindo aquela voz distante, Venus empalidece, empalidece... E desmaia entre as purpuras da aurora.