Portuguese poem
Never more
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Tu queres reviver aquele amor de outrora... Douda! Mal sabes tu, nem podes compreendel-o, Que noute anouteceu no ceu daquela aurora, Como a minh’alma em flor se recobriu de gelo!
Um dia ergueste o vôo... O rózeo torvelinho De uma ezistencia nova e esplendida arrastou-te: Voaste para a luz — e aqui fiquei sózinho No fundo deste amor onde caíra a noute.
Hoje, meiga, talvez arrependida, voltas Procurando em minh’alma um pouco do passado, Tentando reunir aquelas folhas sôltas Em que atiraste ao vento um sonho desfolhado.
Não volta ao galho a flor que desprendeste da haste, Não volta a minha fé. Tu, coração travesso, Coração de mulher, lembras-te de que amaste... Eu não mendigo amor! Eu amo-te... e padeço.