Versos Portuguese Vicente de Carvalho No Sahara

Portuguese poem

No Sahara

by (1866–1924)

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Sob o infinito ceu se espraia, toda envolta Em luar, a planura infinita de areia. No chão que alveja, como um fantasma, passeia E corre a sombra de uma informe nuvem solta.

No horizonte, bem sobre a planicie, vivazes Como faróis no mar, ardem estrelas. Momo, Afla o vento num bafo abrazado de fôrno. A caravana, ezausta, adormeceu no oazis.

Repouza, entregue á paz do sono, o acampamento, Emquanto a sentinela imovel, descançando Na longa carabina a bronzeada mão,

Sonda, interroga em vão com o olhar sonolento Os confins do dezerto onde, de quando em quando, Reboam no silencio os urros de um leão.