Portuguese poem
II (Ofendi-te...E depois, vejo-te humildemente)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Ofendi-te...E depois, vejo-te humildemente Chorar, Turvo, turvo de pranto, esse resplandecente Olhar.
Eis me vingado, pois, bem vingado, de quanto Sofri. Do teu suave amor,do meu suave encanto Por ti.
Brutal, apunhalei-te a golpes de ironias Brutais, Eu, que te quero tanto, a ti, que me queiras Demais.
Há pouco, para mim, doido eu de amor, tu doida De amor, Sorria em tua boca em flor tua'alma toda Em flor;
Desfolhei esse teu lindo sorriso que era Assim -Mais ainda que em ti - como uma primavera Em mim
E fiz todo esse mal que com algumas frases Te fiz Só porque te amo...Não; só porque tu me fazes Feliz.
Fui comigo também, mais que contigo ainda, Feroz: Vendo-te assim chorar, tenho uma pena infinda De nós:
Provoquei esse pranto humilde e resignado; Depois, Por fazer-te infeliz, sou o mais desgraçado Dos dois.
Sorris?...Vais perdoar? Mas, ó tu que és tão boa, O meu Crime de te magoar, alguém o não pedoa: Sou eu.