Portuguese poem
Saudade
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Bellos amores perdidos, Muito fiz eu com perder-vos; Deixar-vos, sim: esquecer-vos Fôra de mais, não o fiz.
Tudo se arranca do seio, — Amor, desejo, esperança... Só não se arranca a lembrança De quando se foi feliz.
Roseira cheia de rosas, Roseira cheia de espinhos, Que eu deixei pelos caminhos Aberta em flor, e parti:
Por me não perder, perdi-te; Mas mal posso assegurar-me — Com te perder e ganhar-me, Si ganhei, ou si perdi...