Portuguese poem
Spleen
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Fóra, na vasta noute, um vento de procela Erra, aos saltos, uivando, em rajadas e em furia; E num rumor de chôro, uma voz de lamuria, Ouço a chuva a escorrer nos vidros da janela.
No desconforto do meu quarto de estudante, Velo. Sinto-me como insulado da vida. Eu imagino a morte assim, aborrecida Solidão numa sombra infinita e constante...
Tu, que és forte, rebrame em furia, natureza! Eu, caído num fundo abismo de tristeza, Invejo-te a espansão livre do temporal;
E, no tedio feroz que me assalta e me toma, Sinto anciarem-me n’alma instintos de chacal... E compreendo Nero incendiando Roma.