Versos Portuguese Vicente de Carvalho Serenata

Portuguese poem

Serenata

by (1866–1924)

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Pela vasta noite indolente Voga um perfume estranho. Eu sonho... E aspiro o vago aroma ausente Do teu cabello castanho.

Pela vasta noite tranquilla Pairam, longe, as estrellas. Eu sonho... O teu olhar tambem scintilla Assim, tão longe como ellas.

Pela vasta noite povoada De rumores e arquejos Eu sonho... E’ tua voz, entrecortada De suspiros e de beijos.

Pela vasta noite sem termo, Que deserto sombrio! Eu sonho... Inda é mais triste, inda é mais ermo O nosso leito vasio.

Pela vasta noite que finda Sóbe o dia risonho... E eu cerro os olhos para ver-te ainda, Ainda e sempre, em meu sonho.