Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Scena Iv

Portuguese poem

Scena Iv

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*O rei, Opiparus e Ciganus*, acudindo

OPIPARUS:

Meu Senhor!...

CIGANUS:

Meu Senhor!...

O REI, alucinado:

Vão-no prender!... vão-no prender!... Um salteador... Tragam-mo aqui aos pés, de rastros, maniatado!... Tragam-no aqui!...

OPIPARUS, à parte:

El-rei endoideceu, coitado!

CIGANUS:

Meu Senhor! meu Senhor, que indignação!... Dizei, Alguem desacatou a pessoa d'el-rei, Por acaso?

O REI:

Um fantasma louco entre o arvoredo...

OPIPARUS:

Um fantasma?!... Ilusão... O ar atordôa...

CIGANUS:

Mêdo De que? de agoiros infantis, de sonhos vagos? Com ministros leais e escudeiros bem pagos, Que teme el-rei?!...

O REI:

Não foi vertigem, não foi sonho... Um brutamontes alienado, um gigante medonho Que me não deixa... Quero vê-lo... Ide prendê-lo... andai...

CIGANUS:

Mas que fantasma é êsse aterrador?

O REI, levando-os ao balcão e apontando:

Olhai! Alêm!... alêm!... alêm!...

CIGANUS:

Strambótica figura!... É singular... é singular...

OPIPARUS:

Crime ou loucura... Por certo um doido...

O REI:

Há já três noites, sem descanso, Uivando loas sôbre loas...

OPIPARUS:

Doido manso...

O REI:

Ide prendê-lo!... amordaçai-o, maniatai-o! Não me larga esta insónia há três noites!... Um raio Dum profeta a grunhir cantochões de defuntos!... Boa carga de pau... bom marmeleiro aos untos... Mas vejam lá que o diabo às vezes, com a telha, Não arme algum chinfrim... Peguem-no de cernelha!