Portuguese poem
A lagartixa
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas Não preciso no prado colher flores, Engrinaldo melhor a minha fronte Nas rosas mais gentis de teus amores.
Vale todo um harém a minha bela, Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados, Como ao sol de verão a lagartixa.