Portuguese poem
A minha esteira
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
Aqui do vale respirando à sombra Passo cantando a mocidade inteira... Escuto no arvoredo os passarinhos E durmo venturoso em minha esteira.
Respira o vento, e vivo de perfumes No murmúrio das folhas da mangueira; Nas noites de luar aqui descanso E a lua enche de amor a minha esteira:
Aqui mais bela junto a mim se deita Cantando a minha amante feiticeira
Sou feliz como as ternas andorinhas E meu leito de amor é minha esteira!
Nem o árabe Califa, adormecendo Nos braços voluptuosos da estrangeira, Foi no amor da Sultana mais ditoso Que o poeta que sonha em sua esteira!
Aqui no vale respirando à sombra Passo cantando a mocidade inteira; Vivo de amores; morrerei sonhando Estendido ao luar na minha esteira!