Versos Portuguese Artur de Azevedo À Minha Noiva

Portuguese poem

À Minha Noiva

by (1855–1908)

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Tu és flor; as tuas pétalas orvalho lúbrico molha; eu sou flor que se desfolha no verde chão do jardim.' Têm por moda agora os líricos versos fazer neste estilo... — Tu és isso, eu sou aquilo, tu és assado, eu assim... Às negaças deste gênero, Carlotinha, não resisto: vou dizer que tu és isto, que aquilo sou vou dizer; tu és um pé de camélia, eu sou triste pé de alface, tu és a aurora que nasce, eu sou fogueira a morrer. Tu és a vaga pacífica, eu sou a onda encrespada, tu és tudo, eu não sou nada, nem por descuido doutor; tu és de Deus uma lágrima, eu sou de suor um pingo, eu sou no amor o gardingo, tu Hermengarda no amor. Os fatos restabeleçam-se, ó dona dos pés pequenos: eu sou homem — nada menos, tu és mulher — nada mais; eu sou funcionário público, tu minha esposa bem cedo, eu sou Artur Azevedo, tu és Carlota Morais.