Portuguese poem
A 'Réclame'
by Artur de Azevedo (1855–1908)
"Eu não sou livre", escreveste; Porém, se livre não eras, Por que com tantas quimeras Encheste um cérebro nu? Pedes que não te persiga... Mas por teus olhos ferido, Reflete que o perseguido Sou eu meu anjo, e não tu!
Quando da tua janela Atiras aos meus desejos Olhares que valem beijos, Porque tens beijos no olhar; Quando esses ternos olhares Com meus olhares se cruzam, Teus lindos olhos abusam Do seu condão de encantar!
Não te compreendo, vizinha; Tu mesma não te compreendes: Fazes-te amar, e pretendes Que eu fuja e te deixe em paz! Mas não vês que é negativo Este sistema que empregas? Tudo, escrevendo, me negas, — E, olhando, tudo me dás!
Vizinha, bela vizinha, Vizinha por quem padeço, Pois tais palavras mereço Que me fizeram chorar? O prometido é devido... Para que o peito me aquietes, Ou dá-me quanto prometes, Ou não prometas sem dar'